Entrei tranquilo no elevador, com alguns colegas. "Bom dia", "bom dia". "Não tô gostando de andar de elevador não, cara. Ouviu dizer que um tanto de elevador andou travando por aí?" Um deles disse. Gelei minhas perninhas finas. Minha voz máscula desapareceu. O elevador não chegava nunca. "Será que travou?". Não travara. Mas logo travaria. Lera Guimarães Rosa na noite anterior: "O trágico não chega a conta gotas". Então vai ser é de repente. Não? Não travou. Foi um milagre.
Sentei na minha cadeirinha, eu estava uma pluma de tão leve. Até que alguém gritasse "desliga esse som aê, meu! Todo mundo preocupado com essa crise e você aí? Poxa heim!" Era comigo? Sim, era comigo. Uma vergonha, ignorei essa tensão mundial. Me pus a ler e reler os benditos gráficos. Crise, crise, crise. Estão todos sofrendo com a crise. Eu devo sofrer também. Ser solidário. Trabalhei em silêncio, fiquei triste, mas fazia o certo, claro. Luto coletivo.
Meio-dia. Era hora de sair para o almoço. Buzinei pro Mauro. "Bora Negão!". Eis que uma mocinha que passava parou. "Ôh mãe, aquele moço chamou o outro de 'negão'?? Ué, mas não é errado? Pode falar assim com os afro-descendentes, pode?" Com essa eu fiquei mal, dessa vez eu fiquei mal mesmo. Foi com um amigo, meu grande amigo, com quem errei desta vez. Vê-lo entrar em meu carro foi uma tortura. Ele foi capaz de me perdoar apesar da ofensa.
"Não vamos comer carne, né"? Não, claro que não. "Porque não?" pensei. Eu ia lá saber! "Agora sou vegetariano, meu caro. Vamos pensar nos milhões de vaquinhas morrendo por nós." Como eu nunca pensara nisto? Que egoísmo de minha parte. Mauro estava certo. Que coração bom o do meu amigão.
"Não vamos comer carne, né"? Não, claro que não. "Porque não?" pensei. Eu ia lá saber! "Agora sou vegetariano, meu caro. Vamos pensar nos milhões de vaquinhas morrendo por nós." Como eu nunca pensara nisto? Que egoísmo de minha parte. Mauro estava certo. Que coração bom o do meu amigão.
No restaurante, álcool em gel pra todo lado. "Passar bastante entre os dedos. Não utilize utensílios compartilhados". As recomendações rondavam minha cabeça. Quantas pessoas já não teriam usado aqueles talheres? "Gripe suína mata, ,gripe suína por toda parte. Gripe suína vai pegar você!". Quase morri - de fome. Não consegui comer nadinha. Não seria exagero, pois poderia me contaminar. Se comesse seria o meu último almoço.
Saímos do restaurante. "Enfim, um ambiente aberto! Que abafado aquele lugar". Comentei e respirei fundo. "Ambiente aberto? E daí?" Mauro me reprimiu. "Olha pra este céu cinzento, esse mundo está poluído demais". Maurão tinha razão. Senti meu pulmão arranhando. Seria sintoma de uma pneumonia? Meu pulmão poderia estar cheio de resíduos tóxicos. Trabalhei o resto do dia tossindo. Mas terminou tudo bem.
Cheguei em casa, liguei a TV. Estava muito calor, mesmo a noite. A TV dizia: "você sabia que o seu cachorro é mais responsável pelo efeito estufa que seu próprio carro? A produção de ração emite mais CO2 que a queima de combustíveis fósseis!". Senti mal por alimentar o Half com ração. Eu sou um mau-caráter, não faço nada certo? Nada? Outra manchete: "Violência urbana continua a crescer vertiginosamente". Falta de ar, desespero, medo. Não resisti. Sofria uma crise existencial. Não sou capaz de fazer nada direito e seria assaltado no dia seguinte. Eu senti que seria. Pra quê viver? Subi na janela. Pulei. Levei o Half comigo. Era ele o culpado por aquele calor todo.
Escrevi esse texto no dia 29 de novembro de 2009. É um iniciador, já me serviu como grande estímulo. O meu preferido.
Saímos do restaurante. "Enfim, um ambiente aberto! Que abafado aquele lugar". Comentei e respirei fundo. "Ambiente aberto? E daí?" Mauro me reprimiu. "Olha pra este céu cinzento, esse mundo está poluído demais". Maurão tinha razão. Senti meu pulmão arranhando. Seria sintoma de uma pneumonia? Meu pulmão poderia estar cheio de resíduos tóxicos. Trabalhei o resto do dia tossindo. Mas terminou tudo bem.
Cheguei em casa, liguei a TV. Estava muito calor, mesmo a noite. A TV dizia: "você sabia que o seu cachorro é mais responsável pelo efeito estufa que seu próprio carro? A produção de ração emite mais CO2 que a queima de combustíveis fósseis!". Senti mal por alimentar o Half com ração. Eu sou um mau-caráter, não faço nada certo? Nada? Outra manchete: "Violência urbana continua a crescer vertiginosamente". Falta de ar, desespero, medo. Não resisti. Sofria uma crise existencial. Não sou capaz de fazer nada direito e seria assaltado no dia seguinte. Eu senti que seria. Pra quê viver? Subi na janela. Pulei. Levei o Half comigo. Era ele o culpado por aquele calor todo.
Escrevi esse texto no dia 29 de novembro de 2009. É um iniciador, já me serviu como grande estímulo. O meu preferido.

Você fechou a redação da UFG? Muito bom!
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