27 de julho de 2012

O começo

Ontem eu queria escrever sobre despedida. Eu fiquei bem triste com uma despedida que tive. Hoje, com a criação do meu novo blog, quis escrever sobre o começo. E acabei percebendo que o começo e a despedida são dois lados da mesma moeda. Despertam sentimentos opostos, mas com a mesma essência.

A despedida é uma saudade antecipada. Já se sente a falta que alguém vai fazer enquanto ela ainda está do seu lado. A dor vem antes do tchau. Difícil isso de ter de ficar longe de quem mais se quer estar perto. A gente imagina amanhã, depois, o entardecer e o anoitecer sem a pessoa que está ali, do seu lado. Dói, mas nada aconteceu ainda. Tudo vem de dentro, uma ideia de como poderia ser.

Não foi diferente, hoje. Um começo. Imaginar como poderia ser o blog em que escrevo agora. Que imagem combina com o que eu ainda vou escrever, que título combina com o que ele ainda não intitula. Qualquer começo é assim. Começo de namoro é sempre bom por isso. No começo de um relacionamento nos comportamos de acordo com aquilo que se pretende viver (e nem sempre o romance imaginado é compatível com o desastre que vem depois...). Constrói-se uma casa, mobilha-se, decora-se, pensando em como é que vai se viver nela, mas ninguém garante que vai ser daquele jeito mesmo. O homem tem essa mania de criar suas certezas. Na cabeça da gente, está sempre tudo pronto. A ansiedade é o futuro adiantado na nossa mente.

Por isso, são frustradas essas tentativas de "não criar expectativas". A imaginação é mais rápida que a razão. Os medos, as dores, e as alegrias, são todas projetadas antecipadamente. O começo desse blog me fez imaginar como ele seria, eu criei umas expectativas e ele já está diferente do que minha imaginação criou. Agora, vejo quem poderia estar lendo, quem me criticaria, que crítica faria? Como é que vai ser daqui por diante? A minha imaginação já criou uma resposta.

O começo é uma despedida daquilo que existia antes. Todo começo impõe um fim à estabilidade que precede os tremores das tentativas. Não me adapto bem às mudanças, admiro quem é maleável, mutável. Alguns começos são difíceis por que só existem quando outras coisas terminam. A verdade é que a gente tem que começar e despedir ao mesmo tempo. De quase tudo. Todo dia, de uma forma diferente.

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