Em cinco anos morando em Goiânia, nunca percebi risco de assalto andando de 006, 020, ou no Isidória, no terminal do Cruzeiro e no terminal da Praça da Bíblia, mesmo a noite. Ainda assim, quando mudei pra cá, fui instruída a segurar a bolsa e não conversar com estranhos nesses lugares.
Por outro lado, me disseram que me colocariam num dos melhores colégios de Goiânia no ensino médio, e disseram também que eu deveria estudar na melhor faculdade de Direito da cidade, por que era nesses lugares que estavam as pessoas melhor instruídas, com as quais eu deveria conviver.
O primeiro furto que me ocorreu foi de um livro de biologia, dentro do colégio em que estudava (que parece um shoping!), depois, um "chaveirinho da Kipling" e depois, um celular. Na grandiosa faculdade de Direito onde só estudam pessoas com considerável grau de discernimento, conhecimento e cultura, abriram minha bolsa, na minha ausência, retiraram carinhosa e educadamente 30 reais da minha carteira e levaram junto com um celular Samsung touch screen.
Hoje, estava só procurando por um pen drive perdido, quando ouvi de diversos colegas, diferentes histórias do tipo "já sumiu o computador da fulana aqui, sabia? O fulano também deixou o notebook lá na sala tal e quando voltou não estava mais lá". O mesmo tipo de comentário que eu ouvia no meu colégio de ensino médio. "Roubam livros pra poder ir pra festas, cê pira?".
Piro não. Vou aprender a lição de uma vez por todas. Se meu dinheiro caísse aqui no ônibus em que eu estou agora, alguém me avisaria: "moça, o dinheiro!" (sei disso por que já me aconteceu). Mas se eu deixar qualquer coisa de valor na faculdade de pessoas cultas e educadas em que estudo, devo estar absolutamente preparada para perdê-la. Os valores estão invertidos, me ensinaram trocado. As pessoas que me furtaram nesses recintos vão se formar e se tornar profissionais corruptos.
Os "malas" de Goiânia tem iPhone e tv a cabo em casa.
O melhor de todos. Merece divulgação.=)
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